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Gramática de alemão A1, A2, B1, B2: o que entra em cada nível e quanto tempo demora

«Gramática de alemão A1», «gramática B1», «gramática básica de alemão» — são das pesquisas mais feitas por quem começa, e por boa razão: ninguém diz com clareza o que é que entra em cada nível. Compram-se livros às cegas e desiste-se no capítulo errado.

Aqui ficam as respostas que interessam: o conteúdo de cada etapa, as horas que custa e, no fim, uma opinião que uma escola de línguas não te escreve.

Quanto tempo, em horas

Valores de orientação do Goethe-Institut, em unidades de 45 minutos, acumuladas desde o zero:

Nível O que consegues fazer Total acumulado
A1 Sobreviver: apresentar-te, pedir, perguntar o básico 80–200
A2 Conversas simples e rotineiras 200–350
B1 Desenrascar-te sozinho no dia a dia e no trabalho 350–650
B2 Discutir, argumentar, trabalhar em alemão 600–800
C1 Usar a língua com nuance e registo 800–1000

São unidades de aula, não meses de calendário. Convertidas em horas de relógio, o B1 dá cerca de 260 a 490 horas: com três horas por semana, fica a uns dois a quatro anos de distância. E repara nas bandas largas — a diferença entre 350 e 650 unidades para o B1 explica-se quase toda por quanto falas, não por quanto estudas.

O que entra em cada nível

A1 — a frase alemã. Presente, sein e haben, artigos no nominativo e no acusativo, verbos modais, perguntas com W-, imperativo, possessivos, verbos separáveis e o Perfekt. O ponto crítico não é nenhuma lista: é a ordem de palavras V2 — o verbo conjugado é sempre o segundo elemento. Morgen gehe ich ins Kino, não «Morgen ich gehe».

A2 — o dativo e a subordinada. Entra o dativo a sério, as preposições que mudam de caso conforme há movimento ou não (in die Stadt vs in der Stadt), o Präteritum de sein, haben e modais, os comparativos — e as primeiras subordinadas com weil e dass, onde o verbo cai para o fim.

B1 — onde se separam as águas. Konjunktiv II (ich hätte, ich würde), voz passiva, orações relativas, genitivo, conectores (obwohl, damit) e a famosa declinação do adjetivo: terminação diferente consoante o caso, o género e o artigo que a antecede. É aqui que a maioria desiste.

B2 — estilo. Konjunktiv I para discurso indireto, estruturas participiais, o Nominalstil dos textos formais, alternativas à passiva (lässt sich machen) e verbos com preposição fixa, que são pura memorização.

Onde é que tu tropeças

Esta é a parte que os livros genéricos não têm, por serem escritos para toda a gente.

No A1 tens meio caminho andado — e um choque. O género não te é estranho: já dizes o e a. Mas há um terceiro e as correspondências não batem certo (o sol → die Sonne, a lua → der Mond). E a V2 não tem paralelo em português. É aí que vai o teu esforço.

No A2 descobres que já tens dativo. O lhe de «dou-lhe o livro» é exatamente o ihm de Ich gebe ihm das Buch. A ideia de complemento indireto marcado já lá está; novo é só marcá-la no artigo. É uma vantagem real sobre quem vem do inglês.

No B1 o teu conjuntivo vai disparar sozinho. É a armadilha mais específica de todas. O português tem um conjuntivo riquíssimo — presente, imperfeito e até futuro — e tu usa-lo por reflexo depois de «espero que», «talvez», «quando». O alemão não faz isso:

Português Alemão
Espero que venhas Ich hoffe, dass du kommst (indicativo)
Talvez seja verdade Vielleicht ist es wahr (indicativo)
Quando chegares Wenn du ankommst (indicativo)

O Konjunktiv II serve para hipóteses e cortesia (Ich hätte gern…, Wenn ich Zeit hätte…), não para subordinadas de vontade ou dúvida. Quem fala português usa-o a mais, e durante muito tempo.

Regra de bolso: se em português dirias «se eu tivesse…», usa Konjunktiv II. Se dirias «espero que…», usa indicativo e esquece o conjuntivo.

A opinião: quase ninguém precisa de C1

Com todas as letras: para trabalhar, viver e fazer amigos na Alemanha, o B2 chega e sobra. O C1 só vale a pena se a língua for a tua ferramenta — universidade, direito, negociação — ou se um papel o exigir.

E há um detalhe que a tabela de níveis esconde: a tua pronúncia corre numa pista separada. Podes ter vocabulário de C1 e pronúncia de A2; é comuníssimo. Sabes dizer infolgedessen, mas dizes Peter sem sopro e soa «Beter». Quem está do outro lado não ouve a tua gramática — ouve a tua pronúncia.

O que vale a pena levar daqui

  1. B1 custa 350–650 unidades de 45 minutos (umas 260 a 490 horas), e a diferença está em quanto falas, não em quantos livros compras.
  2. Três pontos críticos: a V2 no A1, a declinação do adjetivo no B1 e o conjuntivo que disparas a mais.
  3. O B2 chega para quase tudo — daí em diante, a pronúncia rende mais do que subir de nível.

O Prophora leva o curso de alemão do A0 ao C1 e faz o mesmo em todos os níveis: falas, e ele diz-te onde te desviaste. A gramática está em qualquer manual; a tua pronúncia é que não tem quem a ouça.

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